A comunidade do distrito de Antônio Pereira recebeu nesta quarta-feira, 4/10, os representantes da mineradora Leão de Ferro, da Agrocity Mineração e da Nativa Consultoria Ambiental a pauta foi a implantação da lavra em terreno próximo a gruta da Lapa, como questionaram os moradores presentes. Dentre as observações foram debatidos poeira, o beneficiamento do ferro e os outros minerais que se encontrariam na região. A reunião marcada para tratar do do “Diagnóstico Ambiental Sócio-participavito”, realizada na na Escola Estadual Antônio Pereira.
Com início de tumulto a reunião chegou a ser interrompida, com a chegada da reportagem a reunião foi retomada pelo presidente da Associação dos Moradores de Antônio Pereira, Uemerson Rodrigues. A reunião encerrou por volta das 21h40.
O empreendimento encontra-se em licenciamento. O prazo para a audiência pública expirou, ela deveria ter sido realizada no período da pandemia. Assim, este foi o primeiro encontro das empresas com a comunidade, que estava embasada em suas pontuações.
A Comunidade reclama que será impactada por mais uma mineradora, os pontos apresentados pela população já são danos relatados pela presença da Mina de Timbopeba, havendo uma sobreposição de danos, o que os tornaram atingidos por outra mineradora.

Segundo o responsável de Meio Ambiente da Agrocity, Gilmar dos Reis Martins, a proposta do empreendimento é que não haja barragem, a operação será a seco. Ele explicou que o direito minerário é da Leão de Ferro, mas que há um contrato com a Agrocity Mineração, que opera em extração de quartzo e calcário, e agora entra no ramo da extração de ferro e que a reunião era para tratar do Diagnóstico Ambiental Sócio-participativo, “é um momento de empoderamento da sociedade, quando abre a oportunidade para que todos possam relatar questões sobre impactos ambientais, ou seja é através deste diagnóstico conseguir formular programas, projetos que possam ser executados em benefício da sociedade”.
Gilmar Martins explicou também que o processo está em licenciamento ambiental, que não há como prever datas, por depender de aprovação da administração pública, e que o diagnóstico ambiental sócio-participativo faz parte do licenciamento. Ele ressaltou que o empreendimento é de pequeno porte, com previsão de produção de 400 milhões de toneladas na área, com uma extração de 500 mil toneladas ano.
As discussões do projeto iniciaram em 2020 com protocolo na Superintendência de Meio Ambiente da Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Gilmar Martins alegou que por ser período de pandemia na época não pode ser realizado o diagnóstico, mas que foram feitas algumas entrevistas com moradores da comunidade. “O trâmite legal exige essa busca de ouvir a comunidade, o empreendimento está aqui e as pessoas da sociedade que possam estar expostas aos impactos do empreendimento e esse é o momento de discutir essa questão e buscar achar soluções”.
A perspectiva é de gerar 80 empregos diretos com a mão de obra local. Produtos e serviços também serão adquiridos no distrito.
Sobre a animosidade dos presentes, Gilmar Martins disse que compreende. “Infelizmente por muitos impactos que são gerados em diversos locais cria-se um clima de incômodo mesmo, em todas as pessoas que estão em volta, mas a empresa vem com a intenção de somar”.
O presidente da Associação de Moradores de Antônio Pereira, Uemerson Rodrigues ressaltou que a empresa não pegou a comunidade leiga, que tem engenheiros de Minas, de Produção, Geólogos, técnicos em mineração, com mineradores tanto de topázio quanto de ouro. “já pegaram uma comunidade que já vem sofrendo com essa mesma metodologia de trabalho, e aconteceu o que vocês viram aí hoje”, os participantes arredios.
Para Uemerson Rodrigues o processo de licenciamento deve dar dois passos para trás e realizar a audiência pública com a comunidade. “Por isso, vocês estão vendo essa comunidade indignada. A comunidade está muito machucada, está saindo ofendida por não ter participado do início desse processo que está correndo”.
Um dos questionamentos da comunidade é o estudo sobre o impacto da poeira, a empresa teria apresentado o estudo dos ventos da região à Supram, que as partículas de poeira não chegariam a Vila Samarco, o que causou a indignação na população, por já sofrer com as nuvens de poeira da operação da Vale em Timbopeba, que teria sido formadas por ciclone extratropical. A Supram solicitou novos estudos sobre a situação da poluição do ar.

Eles também querem saber sobre a jazida de topázio imperial que ocorre na região, o tema tomou conta da reunião por um bom tempo.
A operação da mina está prevista para ocorrer com o desmonte hidráulico, e a água seria retirada de poço artesiano. A dúvida da comunidade é se esse poço pode rebaixar o lençol freático e interferir por escassez de água na gruta da lapa, na qual se encontra um ponto de gotejamento, que formou uma imagem reconhecida como a imagem de Nossa Senhora, o local é ponto de peregrinação. Os moradores também apontam que a Vila Samarco é abastecida por poços artesianos, e diante do volume de água a ser utilizado na mineração venha a prejudicar o abastecimento.
Os cristãos evangélicos também questionaram que a área a ser minerada é o monte utilizado pelas igrejas para suas orações e retiros, que várias igrejas utilizam o local com essa finalidade.
Por Marcelino de Castro