Nesta segunda-feira (24), na Câmara de Mariana, os vereadores Sônia Azzi (União), Manoel Douglas (PV) e Ricardo Miranda (Republicanos) entraram em discussão que se iniciou por conta de mensagens em grupos de whatsapp. Durante a reunião de comissão, que aconteceu pela manhã, os vereadores se defenderam diante de comentários que circularam pelas redes sociais. Na reunião ordinária, que aconteceu pela tarde, Sônia Azzi respondeu as falas dos vereadores.
O vereador Ricardo comentou na reunião de comissão sobre o projeto de lei, elaborado pela vereadora Sônia, que busca medidas de assistencialismo para autistas. “Nós não temos essa formação não, mas nós temos uma assessoria, que nos dá o parecer em todos os projetos e assim também e com os pareceres jurídicos. Então, quando vem um projeto pra cá, essa asssessoria, elas fazem um parecer, isso é de forma oficial. Existem pessoas técnicas aptas para poder dar esse parecer. Onde a gente vê e julga, se é constitucional, se não é, se pode ser votado ou não pode” afirma o vereador em relação ao motivo do PL da vereadora não ter recebido parecer favorável da comissão.
Justificando ainda seu parecer em relação ao projeto de Sônia, Ricardo disse: “E agora nós viemos em um período eleitoral, onde acaba muitas das vezes as pessoas querendo mostrar o serviço, né? E eu entendo o lado do vereador, mas é um momento que a gente tem que também tem que ter cautela, porque aqui no plenário nós podemos votar um projeto que pode ser benéfico como também pode prejudicar de certa forma.”
O vereador Manoel Douglas, presidente da Comissão de Finanças, Legislação e Justiça, afirmou não aceitar mais situações como essa: “Eu falo que eu tenho um respeito muito grande pelas mulheres, respeito mesmo, mas eu não vou mais permitir que a nossa colega venha, vamos dizer, se esconder atrás da figura feminina para fazer matérias tendenciosas e jogar pra população marianense. Já to deixando aqui registrado porque, a partir de agora, vereador Ricardo, nós temos que saber que nós somos vereadores, nós respeitamos ela como mulher, mas ela é vereadora como nós. Nós defendemos a igualdade das mulheres e o respeito a elas, mas a gente espera da mulher sempre trabalhar de forma transparente, a gente espera que a mulher sempre… uma figura limpa, né? Uma figura de pureza. (…) Mas quem colocar em público de forma tendenciosa e mentirosa, vai ouvir publicamente, vai ser assim que vai ser falado aqui nessa casa. Não vou permitir mais dessa forma porque ficou muito ruim.”
Na Reunião Ordinária, a vereadora Sônia utilizou o momento da palavra livre para responder as falas que os vereadores tiveram pela manhã: “É com imensa indignação, que eu venho a público repudiar as palavras ultrajantes do senhor Ricardo e de senhor Preto dos Cabanas, acusar-me de esconder por ser mulher e de agir com fins eleitoreiros. É um golpe baixo e machista, que desrespeita não só a mim, gente, mas a todas as mulheres. (…) É inaceitável, que em pleno século 21 ainda tenhamos que lidar com ataques tão retrógrados e desrespeitosos.”
O vereador Ricardo solicitou ao presidente, Edson Agostinho (Cidadania) que fosse transmitido um trecho da fala do procurador municipal, Cor Jesu Quirino Filho, sobre o projeto da vereadora. “Não entrou em pauta, senhor presidente, está com parecer da assessoria contábil contrário, acusando despesas aos cofres públicos”, afirmou o procurador.
Respondendo às falas da vereadora, Manoel Douglas disse: “Eu não concordo quando fala assim, de atacar a senhora, pelo contrário, nós estamos nos defendendo. (…) Então é isso que eu tô querendo dizer, tratar de forma igual a todos, com respeito a todos. Porque, olha, se ficar jogando coisa de forma tendenciosa, eu não preocupo com coisa tendenciosa nas redes sociais não. O que tem que preocupar comigo é com as minhas verdades. Não tenho medo de confrontar ninguém, seja homem, eu respeito a senhora como mulher, mas a senhora como vereadora tem que respeitar nós homens também.”
A vereadora ainda afirma que existem entraves nas decisões dentro da Câmara em relação aos apoios partidários: “Eu sou a única oposição, porque eu faço parte, eu estou junto do Juliano. Eu já ouvi de vocês todos que os 12, os 12, taxariam qualquer coisa. E eu estou com o Juliano, mas eu tive a hombridade, eu sou mulher o suficiente pra ir lá conversar com Celso e disse com ele ‘eu não vou caminhar com o senhor, Celso, porque eu vou caminhar com o Juliano, porque o senhor tem 14 pessoas e de voto, eu não vou servir pra pegar voto pros outros.’ E eu sempre estive com o Juliano, eu sou pré-candidata pelo Republicanos e eu caminho com o Juliano. Nunca neguei isso pra Celso, nunca neguei isso pra ninguém aqui. Nunca neguei, mas que há barreira entre quem está no governo e quem não está, isso tem, senhor Manoel Douglas.”
Por Marcella Torres