Projeto que destaca a relação entre a obra da artista mineira e a tradição barroca brasileira tem início com duas exposições simultâneas em Ouro Preto e Salvador. Em novembro as mostras se fundem e desembarcam em São Paulo, na sede do Instituto Tomie Ohtake

Ministério da Cultura, Bradesco e Instituto Tomie Ohtake têm o prazer de apresentar Sonia Gomes – Barroco, mesmo, projeto que destaca a relação entre a obra da artista mineira Sonia Gomes (Caetanópolis, MG, 1948) e a tradição barroca brasileira, sem deixar de reconhecer nesse legado as marcas do sofrimento imposto pelas violências estruturais de um país com histórico colonial e escravocrata. Em Ouro Preto, a exposição acontece no Museu da Inconfidência, de 5 de abril a 5 de julho de 2025, trazendo 25 esculturas têxteis de diferentes períodos da carreira da artista.

Paralelamente à exposição, o visitante pode acompanhar um programa público de encontros, oficinas e vivências, com programação atualizada pelo site e pelas redes sociais do Instituto Tomie Ohtake ao longo do período expositivo.

Com curadoria do diretor artístico do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, o projeto tem início com duas exposições quase simultâneas em Ouro Preto e Salvador, cidades fundamentais para o barroco brasileiro e que receberão as primeiras mostras institucionais da artista em Minas Gerais e na Bahia. Sonia Gomes – Barroco, mesmo é uma realização do Instituto Tomie Ohtake em parceria institucional com o Museu da Inconfidência e com o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia). A exposição tem o patrocínio do Bradesco, sob a chancela “Apresenta”, e do Grupo CCR, por meio do Instituto CCR, sob a chancela “Platina”, via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Rouanet) do Ministério da Cultura.

Programa Público – Ouro Preto

Por ocasião da inauguração da exposição em Ouro Preto, no dia 4 de abril, às 17h, ocorre a mesa de debate Tramas da memória: a presença dos corpos negros no barroco mineiro, com a participação da poeta, ensaísta, acadêmica e dramaturga Leda Maria Martins e do engenheiro ouropretano Eduardo Evangelista, com mediação da professora e arquiteta Ana Paula Silva de Assis. O debate pretende aprofundar a compreensão sobre como a escravidão marcou a arte e a sociedade do período barroco, explorando a representação dos corpos negros nas obras da época e as manifestações culturais afro-brasileiras que persistiram. Já às 19h ocorre a roda de conversa Conexões contemporâneas: arte, encontro e transformação no Museu da Inconfidência, com a presença da artista Sonia Gomes, do curador Paulo Miyada, do diretor do Museu da Inconfidência Alex Calheiros e da artista mineira Josi.

No dia 5 de abril, data de abertura da exposição, às 14h, acontece a atividade educativa Palavra-semente, com Mariana Per, gerente de educação do Instituto Tomie Ohtake. Indicada para famílias, a oficina propõe um percurso pela memória por meio das palavras. Como sementes, as palavras carregam em si lembranças, perfumes e texturas. Durante o encontro, cada participante escolherá sua palavra-semente e criará uma pequena escultura que represente as memórias evocadas por ela, estabelecendo um diálogo com o trabalho da artista Sonia Gomes.

Sobre a artista

Nascida em Caetanópolis, no interior de Minas Gerais, em 1948, a relação de Sonia Gomes com a arte resultou de uma necessidade permanente, que a levava a produzir uma ampla gama de criações têxteis sem que tivesse acesso a um canal de circulação. A inserção de sua obra no campo da arte contemporânea resulta da ambição de recriar o mundo a seu redor por meio de gestos de cuidado, começando pela intimidade do corpo, da roupa e da casa.

A obra de Gomes se tece na duração do tempo. A artista elege materiais que trazem suas próprias cores, texturas, caimentos e um conjunto indefinível de memórias. Cada tecido, roupa e adereço que utiliza percorreu uma trajetória própria, sendo vestido, guardado e trocado antes de passar por transformações em seu ateliê. Por meio da combinação de ações como amassar, torcer, esticar, tensionar, suspender e embrulhar, a artista faz da costura uma espécie de desenho. Seus gestos produzem traços e, ao mesmo tempo, fixam estágios do manuseio dos tecidos, vinculando, equilibrando e associando peças em um corpo que, como se estivesse em crescimento, gradualmente toma forma, estabelecendo relações com o espaço circundante.

Serviço:

Sonia Gomes – Barroco, mesmo

De 5 de abril a 5 de julho de 2025

Anexo do Museu da Inconfidência – Sala Ataíde

De terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada gratuita

Rua Antonio Pereira, nº 3, Centro – Ouro Preto – MG

Sobre o livro

Título: Sonia Gomes – Assombrar o mundo com beleza

Artista: Sonia Gomes

Organização: Paulo Miyada

Autores dos ensaios: Leda Maria Martins, Paulo Miyada, Michael Wellen, Sidarta Ribeiro, Yina Jiménez Suriel

Tradutores: Carolina Alfaro, Christopher Peterson, Julia Sobral Campos, Silvia Massimini Felix, Eric Moses, Lynnea Hansen

Idioma: Português/Inglês; Número de páginas: 320; Editora: Cobogó

ISBN: 978-65-5691-151-9; Projeto gráfico: Greco Design; Encadernação: Capa dura

Formato: 22,5 x 29 cm; Ano de publicação: 2024; Preço: R$ 260,00; CDD: 709.81

Fonte: Assessoria Instituto Tomie Ohtake

Foto: Lita Cerqueira

Sobre o Instituto Tomie Ohtake

O Instituto Tomie Ohtake é uma instituição cultural dedicada às artes visuais e suas interseções com a educação, a arquitetura e o design, sempre em diálogo com outras linguagens e questões contemporâneas. Sua atuação é pautada pela pesquisa, experimentação e desenvolvimento de exposições e experiências educativas que mobilizam vozes plurais e ampliam o acesso à arte em suas diversas dimensões. Aberto a todas as pessoas, o Instituto repudia qualquer forma de discriminação relacionada a corpos, identidade de gênero, sexualidade ou crenças religiosas. Fundado em 2001, na cidade de São Paulo (SP), expandiu sua presença por todo o território nacional por meio de projetos educativos, exposições, premiações e programas públicos, promovendo o conhecimento e estabelecendo conexões com instituições nacionais e internacionais. Em sua programação, as artes visuais se entrelaçam com a educação, a arquitetura e o design, estimulando reflexões sobre questões contemporâneas e vozes diversas. Com uma forte vocação formativa, o Instituto cria oportunidades para educadores e estudantes, conferindo uma dimensão coletiva ao gesto de Tomie Ohtake: abrir territórios para si e para o outro por meio da arte.